Parece contradição. É exatamente o contrário: é a razão de ser do produto.
Toda a gente acha que o pelicano usa a bolsa como saco. Que mergulha, enche, e leva o peixe para casa. Não é nada disso.
A bolsa é uma rede. O pelicano mergulha o bico, apanha o peixe com vários litros de água à mistura, escorre a água pelos lados do bico e engole o que sobra. Do início ao fim demora segundos. Nada fica lá guardado.
Quando percebemos isto, o nome quase caiu. E depois percebemos que era melhor assim, porque a metáfora deixou de ser bonita e passou a ser exata.
A bolsa não é onde as coisas ficam. É onde a água se separa do peixe.É este o produto todo
Uma fatura fotografada é isso mesmo: um megabyte de pixels dos quais interessam nove campos. Sombra da mesa, dedo no canto, logótipo do fornecedor, condições de pagamento em letra miúda. Tudo água.
O trabalho não está em apanhar. Apanhar é fácil e é barato. O trabalho está em escorrer depressa e guardar pouco.
O pelicano não escolhe o peixe antes de mergulhar. A app não pede categoria, centro de custo nem descrição. Isso decide-se depois, em terra.
Nada entra no sistema sem passar pela triagem. É por isso que o modelo de visão é o último passo e não o primeiro: se o QR code já respondeu, não há nada a pensar.
Uma fatura não é uma imagem, são nove campos e um ficheiro anexo. Tudo o resto é peso que alguém vai ter de arrumar mais tarde.
A ave regressa às mesmas águas de manhã. A rotina de conciliação faz o mesmo: volta ao e-fatura todos os dias até o fornecedor comunicar, ou até o prazo acabar.
Não é uma imagem simpática colada a um software. É a ordem exata pela qual as coisas acontecem lá dentro.
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