The Pelican Way

Uma ave que não guarda nada deu o nome a uma app de arquivo.

Parece contradição. É exatamente o contrário: é a razão de ser do produto.

O erro comum

Toda a gente acha que o pelicano usa a bolsa como saco. Que mergulha, enche, e leva o peixe para casa. Não é nada disso.

A bolsa é uma rede. O pelicano mergulha o bico, apanha o peixe com vários litros de água à mistura, escorre a água pelos lados do bico e engole o que sobra. Do início ao fim demora segundos. Nada fica lá guardado.

Quando percebemos isto, o nome quase caiu. E depois percebemos que era melhor assim, porque a metáfora deixou de ser bonita e passou a ser exata.

A bolsa não é onde as coisas ficam. É onde a água se separa do peixe. É este o produto todo

Uma fatura fotografada é isso mesmo: um megabyte de pixels dos quais interessam nove campos. Sombra da mesa, dedo no canto, logótipo do fornecedor, condições de pagamento em letra miúda. Tudo água.

O trabalho não está em apanhar. Apanhar é fácil e é barato. O trabalho está em escorrer depressa e guardar pouco.

Anatomia

Três peças, três decisões de produto.

Cabeça de pelicano anotada com as funções do produto O OLHO Olha antes de mergulhar Procura o QR code primeiro. Só mergulha quando não o encontra. O BICO Apanha tudo de uma vez Uma fotografia, sem formulários e sem categorias para escolher. A BOLSA Escorre a água, fica o peixe Do megabyte de pixels sobram nove campos e um documento.
Os quatro princípios

O método tem nome porque tem regras.

Um

Apanhar sem pedir nada

O pelicano não escolhe o peixe antes de mergulhar. A app não pede categoria, centro de custo nem descrição. Isso decide-se depois, em terra.

Dois

Escorrer antes de engolir

Nada entra no sistema sem passar pela triagem. É por isso que o modelo de visão é o último passo e não o primeiro: se o QR code já respondeu, não há nada a pensar.

Três

Guardar pouco

Uma fatura não é uma imagem, são nove campos e um ficheiro anexo. Tudo o resto é peso que alguém vai ter de arrumar mais tarde.

Quatro

Voltar todos os dias

A ave regressa às mesmas águas de manhã. A rotina de conciliação faz o mesmo: volta ao e-fatura todos os dias até o fornecedor comunicar, ou até o prazo acabar.

A aveMergulha onde já viu peixe
O produtoLê o QR code antes de gastar créditos
A aveDeita fora litros de água em segundos
O produtoExtrai nove campos e descarta o resto
A aveNão engole o mesmo peixe duas vezes
O produtoO ATCUD trava a fatura duplicada
A avePesca em grupo, não uma a uma
O produtoUma sincronização por dia para centenas de documentos

E os nomes que ficaram pelo caminho

ZeroZero créditos era boa promessa, mas colide de frente com o Xero, um dos maiores softwares de contabilidade do mundo. Confusão de marca dentro da própria categoria.
FechoExcelente em Portugal, impronunciável lá fora. Um nome que obriga a soletrar ao telefone não é um nome, é um problema.
CincoO dia 5 é o prazo de comunicação, e amarrar a marca a uma data que muda por despacho é fragilidade a prazo.
Tudo com -ableO sufixo só funciona colado a um verbo. Sem isso fica som sem significado, e som sem significado envelhece em dois anos.
The Pelican Way

Apanhar tudo, escorrer a água, guardar o peixe.

Não é uma imagem simpática colada a um software. É a ordem exata pela qual as coisas acontecem lá dentro.

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